sexta-feira, 26 de junho de 2009

A Revolução mais significativa na história da impressão (para mim)

Não há dúvidas de que a revolução que Gutemberg produziu ao sistematizar os processos de impressão foi o primeiro ‘boom’ na história das técnicas empregadas nessa área. Se utilizando de técnicas de seu ofício de ourives realizou experimentações que culminaram, com sucesso, em uma invenção que possibilitou o surgimento e desenvolvimento da prática de passar para o papel, de forma mecânica, informações que eram montadas com seqüência de diversos tipos; no caso, eram móveis. No entanto, a meu ver, a revolução mais significativa na história da impressão é a Revolução Industrial, que surgiu em meados do século XIX, pondo fim a uma era de 200 anos quase que estáticos no âmbito das técnicas de impressão.

A Revolução Industrial trouxe consigo um novo olhar sobre a criação de famílias tipográficas. Alterações no desenho tipográfico, simplificação do traço, contraste entre traços finos e grossos, maior refinamento e delicadeza na estrutura trouxeram divergências quanto a aceitação no cenário europeu, porém, no cenário inglês, esses fatores serviram como referenciais para vários tipógrafos.

As mudanças não foram apenas no que se diz respeito à produção tipográfica, é importante ressaltar o desenvolvimento de um novo processo de fabricação de papel (papel vitela) e o surgimento de um movimento artístico que propunha o rompimento com a herança clássica européia, o Art-Nouveau.

A Revolução Industrial viabilizou o desenvolvimento das técnicas de produção e reprodução gráfica, sem tal revolução seria praticamente impossível alcançar avanços tecnológicos tão rápida e eficientemente. Não dá para pensar em Revolução Digital (que é a dominante na atualidade) sem antes passar pelos caminhos traçados na Revolução Industrial, que abriu portas e ampliou horizontes, já que ela representava a transição de uma economia agrária baseada no trabalho manual para uma economia dominada pela indústria mecanizada.

Para que precisamos da Helvetiva?

Criada no ano de 1957 por Max Miedinger, a família tipográfica Helvetica exibe caráter neutro e cosmopolita. Largamente utilizada nos anos 60 e 70, chega à atualidade dividindo a opinião de profissionais que diariamente lidam com o design tipográfico e, até mesmo, com o design numa forma mais ampla.

Quando criada, no final dos anos 50, em meio à conjuntura econômica pós Segunda Guerra Mundial, atraiu inúmeras empresas alemãs e suíças, que pretendiam se lançar novamente no mercado internacional e que, portanto, necessitavam de letras de caráter neutro, que fossem claras, sugerissem modernidade e que, principalmente, transmitissem a idéia de internacionalidade.
Foi, certamente, o fato de não possuir qualquer tipo de associação nacional e nenhuma filiação cultural específica, que fez com que o número de sua utilização fosse tão ascendente. Helvetica foi, facilmente, a fonte mais utilizada no planeta, com valores crescentes para a estratosfera nos anos 60 e 70. Esteve presente em simples panfletos chegou a figurar em grandes marcas de empresas de transporte aéreo.
O atendimento positivo à demanda de uma cultura de massas (que é o fenômeno da globalização) tornou essa tipografia um sucesso, principalmente por possuir as qualidades já citadas anteriormente.

Não obstante, não agradou a tantos assim. Já recebeu livros, documentários e um filme em sua homenagem, porém, não são poucos os artigos e as manifestações contrárias à essa tipografia. Os ‘não adeptos’ a esse fenômeno da tipografia internacional julgam-na sem elegância, sem charme, de pobre estética e de baixa legibilidade.

Um olhar mais pessoal me leva à uma posição parcialmente intermediária a toda a discussão a respeito da utilização dessa fonte. Não a considero tão perfeita e ideal quanto os figurantes no filme Helvetica, porém não a considero algo descartável e que agrida a visão, como os ‘não-adeptos’ sugerem em suas publicações. O uso indiscriminado não me parece adequado e muito menos eficiente, pois pelo fato de não transmitir uma característica específica, ela acaba recebendo conotações de ‘Bombril – tem 1001 utilidades’. Um bom design leva em consideração a demanda e considera a tipografia que se adequa e atende bem às necessidades do projeto em questão. Sendo Helvetica ou não, a utilização adequada da família tipográfica pode garantir ou não a aceitação de uma peça gráfica no mercado.