Criada no ano de 1957 por Max Miedinger, a família tipográfica Helvetica exibe caráter neutro e cosmopolita. Largamente utilizada nos anos 60 e 70, chega à atualidade dividindo a opinião de profissionais que diariamente lidam com o design tipográfico e, até mesmo, com o design numa forma mais ampla.
Quando criada, no final dos anos 50, em meio à conjuntura econômica pós Segunda Guerra Mundial, atraiu inúmeras empresas alemãs e suíças, que pretendiam se lançar novamente no mercado internacional e que, portanto, necessitavam de letras de caráter neutro, que fossem claras, sugerissem modernidade e que, principalmente, transmitissem a idéia de internacionalidade.
Foi, certamente, o fato de não possuir qualquer tipo de associação nacional e nenhuma filiação cultural específica, que fez com que o número de sua utilização fosse tão ascendente. Helvetica foi, facilmente, a fonte mais utilizada no planeta, com valores crescentes para a estratosfera nos anos 60 e 70. Esteve presente em simples panfletos chegou a figurar em grandes marcas de empresas de transporte aéreo.
O atendimento positivo à demanda de uma cultura de massas (que é o fenômeno da globalização) tornou essa tipografia um sucesso, principalmente por possuir as qualidades já citadas anteriormente.
Não obstante, não agradou a tantos assim. Já recebeu livros, documentários e um filme em sua homenagem, porém, não são poucos os artigos e as manifestações contrárias à essa tipografia. Os ‘não adeptos’ a esse fenômeno da tipografia internacional julgam-na sem elegância, sem charme, de pobre estética e de baixa legibilidade.
Um olhar mais pessoal me leva à uma posição parcialmente intermediária a toda a discussão a respeito da utilização dessa fonte. Não a considero tão perfeita e ideal quanto os figurantes no filme Helvetica, porém não a considero algo descartável e que agrida a visão, como os ‘não-adeptos’ sugerem em suas publicações. O uso indiscriminado não me parece adequado e muito menos eficiente, pois pelo fato de não transmitir uma característica específica, ela acaba recebendo conotações de ‘Bombril – tem 1001 utilidades’. Um bom design leva em consideração a demanda e considera a tipografia que se adequa e atende bem às necessidades do projeto em questão. Sendo Helvetica ou não, a utilização adequada da família tipográfica pode garantir ou não a aceitação de uma peça gráfica no mercado.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
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