Não há dúvidas de que a revolução que Gutemberg produziu ao sistematizar os processos de impressão foi o primeiro ‘boom’ na história das técnicas empregadas nessa área. Se utilizando de técnicas de seu ofício de ourives realizou experimentações que culminaram, com sucesso, em uma invenção que possibilitou o surgimento e desenvolvimento da prática de passar para o papel, de forma mecânica, informações que eram montadas com seqüência de diversos tipos; no caso, eram móveis. No entanto, a meu ver, a revolução mais significativa na história da impressão é a Revolução Industrial, que surgiu em meados do século XIX, pondo fim a uma era de 200 anos quase que estáticos no âmbito das técnicas de impressão.
A Revolução Industrial trouxe consigo um novo olhar sobre a criação de famílias tipográficas. Alterações no desenho tipográfico, simplificação do traço, contraste entre traços finos e grossos, maior refinamento e delicadeza na estrutura trouxeram divergências quanto a aceitação no cenário europeu, porém, no cenário inglês, esses fatores serviram como referenciais para vários tipógrafos.
As mudanças não foram apenas no que se diz respeito à produção tipográfica, é importante ressaltar o desenvolvimento de um novo processo de fabricação de papel (papel vitela) e o surgimento de um movimento artístico que propunha o rompimento com a herança clássica européia, o Art-Nouveau.
A Revolução Industrial viabilizou o desenvolvimento das técnicas de produção e reprodução gráfica, sem tal revolução seria praticamente impossível alcançar avanços tecnológicos tão rápida e eficientemente. Não dá para pensar em Revolução Digital (que é a dominante na atualidade) sem antes passar pelos caminhos traçados na Revolução Industrial, que abriu portas e ampliou horizontes, já que ela representava a transição de uma economia agrária baseada no trabalho manual para uma economia dominada pela indústria mecanizada.
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